Quanto mais eu costuro, mais eu quero !
Dona Cida chegou a São Paulo já casada e com filho em 1965, e logo se estabeleceu na indústria da moda. Mas tinha sido sua mãe, modista em Maceió, quem primeiro havia lhe ensinado as primeiras habilidades com linhas e agulhas.
Para conseguir trabalhar na indústria e no comércio da moda aqui na cidade, Dona Cida tratou logo de formalizar os conhecimentos e práticas que trazia consigo: matriculou-se numa escola de moda. E a partir daí, ao longo desses 55 anos, passou por inúmeras experiências em fábricas e em lojas. Ela não titubeia em dizer que aprendeu muita coisa – da profissão e da vida – e que mesmo alguns percalços eventualmente vividos não tiram a satisfação de, na idade que tem, tocar diariamente o pequeno ateliê que mantém na sala da casa onde mora.
Grande parte dos serviços hoje em dia são pequenos consertos em peças levadas pela clientela fiel que a acompanha onde esteja – foram 4 mudanças de endereço nos últimos 10 anos, sempre no mesmo bairro. E nem isso a faz parar de planejar os novos passos que a ajudem a equilibrar melhor o atendimento dos serviços de consertos em geral com o quê ela mais sonha: fazer moda !
“Quer que eu faça uma roupa para alguém ? Eu faço ! Tiro as medidas, faço a modelagem, corto no tecido e faço a roupa. Atualmente estou fazendo mais é conserto; de vez em quando uma roupinha, alguma coisa. Tudo que aparece, eu faço: barra de calça, conserto, costura, roupinha de cachorro, capa de almofada… Apareceu costura, eu sei fazer. Até cortina! Quanto mais eu costuro, mais eu quero! Eu faço um monte de coisa, eu gosto de costurar! Essas coisas de criar eu gosto muito! Uma saia, uma moda, uma bolsa, … Andei fazendo roupinha de cachorro; já saíram todas, não sobrou nenhuma! Tudo forrado, bem feitinho, com zíper. Não é porque é serviço meu não, mas é bem feito mesmo! Tudo que eu faço aqui, eu vendo! “